Viajar nos Estados Unidos da América

Existem várias opções para viajares pelos EUA, mas, na nossa experiência, alugar ou comprar um carro acaba por ser a melhor escolha se o objetivo for explorar fora das grandes cidades ou viajar durante vários meses. Alias, fora algumas exceções como San Francisco e NYV, ter um carro pode ser essencial para visitar muitas cidades como Los Angeles ou Houston. Ao longo desta página vamos explicar como é viajar nos EUA, mas também porquê é que viajar de carro é a melhor opção, que tipo de carro faz mais sentido e quais foram todos os custos que tivemos.

Para conduzires nos EUA vais precisar de ter carta de condução válida, e a forma mais simples é obteres uma carta internacional no IMT antes de sair de Portugal. O carro que usamos foi o mesmo que usámos no Canadá, e para saberes mais sobre o mesmo, o processo de compra e venda, e também como fizemos a conversão, temos tudo detalhado na nossa página sobre como Viajar no Canadá.

A nossa experiência de viajar nos EUA foi ao estilo van life e ao longo de vários meses, o que pode não ser a tua opção. Ainda assim, praticamente todos os tópicos neste guia são igualmente válidos para quem viaja de outra forma ou com menos tempo disponível.

1. Dicas Gerais

Visto de turismo
Se és cidadão português e queres visitar os EUA, não precisas de visto, mas sim de uma autorização de viagem (ESTA). O custo é de cerca de $40, fica associada ao teu passaporte e é válida por dois anos ou até à data de validade do passaporte. Esta autorização permite permanecer no país por um máximo de 90 dias de cada vez. O processo é simples: basta aceder ao site oficial, preencheres os teus dados e submeter o pedido; a aprovação normalmente chega em poucas horas. Para o pagamento, recomendamos usar cartões como Revolut ou Wise, de forma a evitar taxas de conversão. Os EUA são um bocado mais esquisitos do que países como o Canadá ou Austrália, por isso visitas a certos países em determinadas alturas, como Cuba, podem atrasar ou até mesmo fazer com que te recruzem o ESTA.

Comunicações
Como está fora do espaço Europeu, a única forma de puderes usar o teu número Português implica um custo avultado, a menos que tenhas algum tarifário próprio. No nosso caso, como vivemos no Canadá, arranjámos um número canadense que incluia roaming gratuito nos EUA, mas se estás como turista nem sequer te é permitido ter um, por isso a nossa recomendação é que uses um eSIM, como Holafly ou Airalo. Infelizmente (ainda) não temos parceira com nenhuma das duas, até porque nunca precisámos de os usar. Atenção que os EUA são um país muito grande e vazio, por isso fora das principais vias de comunicação e das zonas urbanas é normal não ter rede, e o mesmo é válido em zonas montanhosas que bloqueiam o sinal ou nos desertos.

Segurança
Os EUA são um país diferente e localizado noutro continente, por isso é normal que tenhas algum receio e dúvidas em relação à segurança, ainda mais com tudo o que se vê sobre o país. Mais abaixo falamos de temas específicos como o clima, as distâncias e a vida selvagem, mas deixamos-te também com alguma informação geral de segurança. O número de emergência é o 911 (polícia, bombeiros, ambulância). Nos parques nacionais, os Park Wardens são os responsáveis por emergências, e o número está disponível nos centros de visitantes e nos panfletos. É normal em estados com open carry veres armas à cintura, o que pode fazer alguma confusão. Vale o que vale, mas nunca tivemos nenhuma situação perigoso ou assustadora em mais de 3 meses no país.

Emergências médicas
Como já referimos, se tiveres uma emergência médica, deves ligar para o 911. No entanto, se não tiveres um seguro de viagem ou saúde, a viagem ao hospital vai-te sair cara. O sistema de saúde local não cobre visitantes, e uma simples emergência médica pode custar milhares de euros. Nós recomendamos a True Traveller: tem coberturas elevadas (até 10 milhões de euros), preços competitivos e é pensada por viajantes para viajantes. Se usares o nosso link, ganhamos uma comissão, mas o preço para ti mantém-se o mesmo.

Cambio e pagamentos
Os EUA são um país moderno, com um sistema bancário robusto e abrangente, por isso dificilmente te tens de preocupar em andar com dinheiro local. Há sítios que só aceitam dinheiro ou cobram mais caso uses um cartão de crédito, mas em termos de taxas bancárias um cartão de débito é, por norma, visto como dinheiro. Neste caso, nas lojas quando estiveres a pagar deves indicar que o queres fazer por debit. Um cartão bancário vai ser sempre essencial, mas se levares um cartão português vais ser sujeito a taxas de conversão caríssimas. A nossa recomendação é que uses o Revolut ou o Wise, o que te permite fazer conversões gratuitas até 1000€ por mês.

Eletricidade
Nos EUA as tomadas são diferentes, do tipo A e B, assim como a tensão (110 vs 230 V) e a frequência (60 vs 50 Hz). Aparelhos modernos funcionam com tensões e frequências diferentes, por isso deves confirmar antes de os trazer, e se for o caso só precisas de um adaptador barato. Por norma as exceções são aparelho mais antigos ou que utilizem a corrente alternada sem transformação, como aparelhos com resistências (fervedor de água), motores (secador de cabelo) ou carregadores de escovas de dentes elétrica. Nestes casos, ou comprar um aparelho novo, ou vais precisar de um adaptador com transformador.

Combustível
Uma forma de poupares dinheiro em combustível no Canadá é abasteceres em bombas que ficam dentro das reservas índias. Estas tendem a ser bem mais baratas porque não pagam impostos, mas algumas podem só permitir abastecer a membros da tribo. Muitas bombas também fazem um preço mais baixo se pagares com dinheiro ou cartão de débito. Nos USA, o Revolut é por norma considerado um cartão de débito, por isso não deverás ter problemas em usa-lo e obter o desconto. Deves no entanto indicar na máquina (se automática) ou à pessoa que queres pagar por debit. Algumas máquinas automáticas vão-te pedir o ZIP Code (código postal), por norma tens que selecionar ‘Pay Inside’ e não podes usar o serviço automático.

Armas de fogo
Nos EUA, o porte de arma é legal em muitos estados, e em estados com open carry é comum ver pessoas com armas à cintura em locais públicos, supermercados ou postos de gasolina. Para quem vem de Portugal, onde isto simplesmente não existe, pode ser desconcertante à primeira vez. Fomos com algum receio, mas a realidade é que nunca tivemos qualquer incidente nem nos sentimos em perigo. É uma diferença cultural que se estranha no início e se normaliza rapidamente.

Condução
Os EUA são o país onde lidámos com os condutores mais agressivos e egoístas. Não tivemos nenhuma situação dramática, mas dificultam a entrada nas interseções e a condução é visivelmente mais agressiva do que no Canadá ou na Europa. Tal como em qualquer país, aconselhamos a que faças uma condução defensiva e evites road rage, mas nos EUA ainda mais pela presença de armas de fogo.

Alojamento
Não te vamos poder ajudar com reservas de alojamentos, porque salvo as vezes em que ficámos em casas de desconhecidos, dormimos sempre no carro. Dito isto, os EUA não têm nada de diferente da maioria dos países, e por isso deves fazer as tuas reservas de alojamento o mais cedo possível, principalmente em zonas de grande afluência. As plataformas que podes usar são as do costume, como o Booking, AirBnB ou o site do sítio que queres reservar – o que até recomendamos vivamente já que muitas vezes consegues um preço melhor e o dinheiro vai todo e direto para o alojamento.

Outras reservas
Deixamos a nota, mas não vamos falar deste tema aqui, já que vamos falar de cada reserva em específico na sua própria secção. O mesmo é válido para atividades e campismo.

Temos muito mais informação e dicas sobre segurança para road trips e dormir no carro, dividido em 13 tópicos na nossa página Viajar e Viver num Veículo.

2. Clima

Os EUA têm uma variedade climática enorme, resultado da sua dimensão, latitude e topografia: planícies, altas montanhas, desertos altos e baixos, e uma costa variada. Faz mais sentido falar do clima nos guias específicos de cada estado, mas deixamos um resumo da nossa experiência como referência.

Visitámos principalmente sete estados no oeste e sul entre outubro e dezembro. Washington, Oregon e o norte da Califórnia foram amenos e chuvosos. Os altos desertos do Utah e Arizona eram gelados — passámos duas semanas com todas as noites abaixo dos -10 ºC, com um pico de -15 ºC. O frigorífico não funcionava porque estava mais frio fora do que dentro dele, acordávamos a tremer e com o colchão rígido de frio. A Califórnia entre o mar e as montanhas era amena, mas Death Valley e Palm Springs tinham máximas próximas dos 30 ºC em dezembro.

O gelo pode ser um problema sério em certas zonas e épocas. No Crater Lake National Park não conseguimos seguir pela estrada principal por causa disso, e algumas estradas no Yosemite estavam fechadas por causa da neve. Verifica sempre as condições antes de avançar para zonas de altitude elevada no outono e inverno.

Nas grandes cidades não terás grandes limitações, mas o inverno é significativamente mais rigoroso do que em Portugal no norte do país, costa leste, Midwest, nos Grandes Lagos e nas zonas de montanha. Sendo um país diverso, o calor também pode ser um problema. Várias zonas do oeste podem facilmente ultrapassar os 40 ºC no verão, e nos altos desertos flash floods são comuns.

Espacial atenção aos incêndios na Califórnia, e não esquecer que é uma zona suscetível a terramotos. Washington, Oregon e Califórnia estão sobre o ring of fire, uma rede sísmica onde assentam vários vulcões ativos que podem entrar em erupção a qualquer momento.

3. Distâncias

Dos três grandes países onde já fizemos road trips de vários meses, os EUA são sem dúvida onde sentimos menos isolamento. O país é enorme comparativamente com os países europeus, mas tem uma população igualmente grande. A densidade populacional dos lower 48, os EUA excluindo o Alasca e o Hawaii, é de 43 habitantes por km², inferior à portuguesa (110), mas a Austrália e o Canadá têm apenas 3 e 4 respetivamente.

Os americanos adoram comparar o tamanho do país e do Texas com países europeus, mas não têm noção que Ontário, a segunda maior província do Canadá, é 1,5 vezes maior, e que Western Australia é quase 4 vezes maior. Adoram dizer que é preciso conduzir mais de 1200 km (perdão, 800 milhas) e mais de 12 horas para atravessar o Texas, mas para atravessar Ontário são precisas mais de 23 horas e 2100 km. Western Australia? 42 horas e 4100 km, isto sem passar por nenhuma cidade.

Dito isto, os americanos têm a sua razão no que toca aos europeus: muitos aterram em Los Angeles a pensar que podem visitar o Grand Canyon e voltar no mesmo dia. São 800 km e 9 horas… para cada lado.

Um país com a dimensão dos EUA tem implicações diretas no planeamento da tua viagem. Vais ter de fazer escolhas e ter atenção ao tempo das deslocações. Os lower 48 (EUA exceto Alasca e Hawaii) são 88 vezes maior do que Portugal, e para teres uma noção das distâncias, de Nova Iorque até Los Angeles são cerca de 4.600km e 43 horas de condução, e esta nem sequer é a maior distância que podes fazer no país. Para comparação, duas das cidades mais distantes em Portugal, Bragança e Sagres, distam cerca de 750 km e pouco mais de 8 horas.

4. Wild Camping, Overland e Van Life

Se planeias fazer a tua viagem em estilo vanlife ou overland, temos um guia dedicado sobre como é viver e dormir num veículo, com tudo o que precisas de saber independentemente do país, mas há detalhes específicos que precisas de saber.

Na nossa opinião, a cultura de van life e overlanding nos EUA não está nível da Austrália, mas é muito mais desenvolvida do que em Portugal. A prática é mais comum, aceite e facilitada, com uma infraestrutura que torna a vida na estrada mais acessível. Mesmo assim, sempre que falávamos com locais sobre a nossa road trip e que vivíamos no carro durante meses, a reação era sempre de surpresa.

As regras sobre dormir num veículo variam muito de cidade para cidade e consoante a região, no entanto, grande parte das National Forests e das terras geridas pelo Bureau of Land Management (BLM) permitem pernoitar gratuitamente, sem reserva. É uma das grandes vantagens de viajar nos EUA para quem gosta deste estilo de vida, mas estas zonas são muito mais comuns no Oeste do que no Leste, onde a densidade populacional e as restrições são maiores.

As regras são simples: não deixes lixo (pack it in, pack it out), não danifiques o local (fogueiras não autorizadas, cortes em árvores) e deixa o sítio como o encontraste (Leave No Trace). Nas BLM por norma existe um limite de 14 dias no máximo no mesmo local, e nas National Forests o dispersed camping é permitido em muitas áreas, mas deves verificar no site da USFS.

Fora das National Forests e BLM, a realidade é mais complexa. Nas cidades, as regras sobre dormir num veículo variam imenso: algumas são tolerantes, outras têm leis específicas que o proíbem. Na prática, o stealth camping era a nossa abordagem padrão, não só nas cidades mas em qualquer sítio: chegar tarde, sair cedo, não dar nas vistas. Foi uma das razões pela qual escolhemos uma minivan em vez de uma carrinha mais óbvia ou tenda de tejadilho.

Uma opção muito popular é dormir em estacionamentos de grandes superfícies, especialmente Walmart. Muitas lojas permitem pernoitar gratuitamente no estacionamento, e é uma prática conhecida e aceite, mas não é universal. Alguns Walmarts e outras lojas proíbem-no explicitamente, com sinalização à entrada. Antes de ficares, vale a pena verificar online se aquela loja específica o permite.

Ao contrário do que é comum em Portugal, onde os parques de campismos são a opção natural para quem viaja desta forma, nos EUA existe uma cultura muito mais desenvolvida de camping em natureza, seja em zonas BLM, National Forests, ou nos campgrounds dentro dos parques nacionais e estatais, que têm infraestrutura completa mas requerem reserva e pagamento. Para nós, que preferimos a natureza e a liberdade de parar onde queremos, as zonas BLM e National Forest foram sempre a primeira opção.

5. Vida selvagem

Apesar das piadas sobre a vida selvagem australiana te querer matar constantemente, tivemos mais receio no Canadá e EUA. Há vários animais predatórios com os quais deves ter muito cuidado: ursos, mountain lions, lynx e lobos. Coiotes são por norma inofensivos e têm medo de humanos, mas os lobos são grandes e perigosos. Felinos como o mountain lion e o lynx são furtivos e atacam diretamente o pescoço.

Os ursos merecem atenção especial. Vais encontrar essencialmente dois tipos: pretos e grizzly. Os pretos são mais pequenos e assustadiços, mas não deixam de ser perigosos, principalmente mães com crias. Nas caminhadas, vai acompanhado, fala alto e faz barulho para não os apanhares de surpresa. Se encontrares um, recua devagar sempre virado para ele, faz-te grande abrindo os braços e faz muito barulho. Com um grizzly, se ele não recuar, a melhor opção é fingires-te de morto e protegeres as áreas vitais e o pescoço.

Leva sempre bear spray! É caro, mas é a melhor forma de afastar um urso (e outros animais) em caso de emergência. Nunca corras nem subas às árvores: eles são mais rápidos do que parecem e sobem melhor do que tu, e fugires ativa o instinto de caça.

Os ursos por norma evitam humanos, mas têm um olfato muito superior ao de um cão e são atraídos por comida. Nunca deixes comida à vista nem em contentores não apropriados. Em parques como o Yosemite, os ursos aprenderam a arrancar as portas dos carros porque as pessoas deixam comida lá dentro. Quando isso acontece, os ursos são abatidos; não sejas a razão para isso! Muitos parques e algumas zonas BLM têm contentores próprios para armazenar comida e são de uso gratuito, e nalguns casos, obrigatório! Talvez porque os americanos são menos cuidadosos, situações de ursos a arrancarem portas de carros por causa de comida são bem mais comuns do que no Canadá, assim como situações de ataques porque as pessoas se aproximam demasiado.

Apesar dos avisos constantes, só vimos ursos no Canadá, e foi quase no final da viagem.. Muitos locais dizem que “isto não é um zoo”, e têm razão. Os ursos existem, mas evitam-nos ativamente. É muito provável que te cruzes com eles sem dares conta.

Ursos polares só existem nas regiões mais a norte do Canadá e Alasca. Nas zonas onde habitam, os carros são obrigados a estar destrancados e com as chaves na ignição, sem brincadeiras, já que um encontro com um urso polar é potencialmente fatal. A menos que vás ao Alaska, não deverás ter problemas com ursos polares.

Nas pradarias e no midwest não há ursos, mas podes encontrar cobras cascavéis e carraças. Vimos búfalos e alces apenas no Canadá, mas também existem nos USA. São animais enormes dos quais nunca te deves aproximar! Apesar de serem herbívoros, podem ser muito agressivos, e o tamanho deles torna-os perigos se te aproximares, mas também em caso de atropelamento.

6. Fusos horários

Os EUA mudam os relógios no segundo domingo de março e no primeiro domingo de novembro, as mesmas datas que o Canadá mas diferentes de Portugal, o que cria uma janela de cerca de uma semana em cada mudança onde a diferença horária é diferente do habitual.

Os EUA têm quatro fusos horários principais para os 48 estados contíguos. O Eastern Time cobre a costa leste, incluindo Nova Iorque e Washington DC, com 5 horas de diferença em relação a Portugal. O Central Time cobre o centro do país. O Mountain Time cobre os estados das Rockies, como o Colorado e o Utah. O Pacific Time cobre a costa oeste, incluindo a Califórnia e o Oregon, com 8 horas de diferença no inverno e 9 no verão.

A complicação extra é o Arizona, que não observa o horário de verão, mantendo o Mountain Standard Time durante todo o ano. A exceção é a Navajo Nation, que abrange partes do Arizona, Utah e Novo México, e que segue o horário de verão para manter consistência com os membros da comunidade nos estados vizinhos. Para complicar ainda mais, a Hopi Nation, que está rodeada pela Navajo Nation no Arizona, não segue o horário de verão, o que significa que ao atravessar estas zonas podes ter que mudar o relógio duas vezes num curto percurso. Se visitares o Arizona, o que é muito provável dado o que há para ver, convém teres isto em conta.

Alguns estados podem estar num fuso horário diferente, por norma devido à proximidade dessa zona a cidades com as quais faz mais sentido manter a mesma hora. Não passámos por nenhuma zona do género, mas são facilmente identificáveis no mapa abaixo.

7. America the Beautiful – National Parks Pass

O America the Beautiful é um passe anual que dá acesso a mais de 2000 localizações federais nos EUA, geridas pelo National Park Service, Forest Service, Bureau of Land Management, Fish and Wildlife Service, Bureau of Reclamation e Army Corps of Engineers. Em termos práticos, cobre a entrada em parques nacionais, monumentos, reservas naturais e zonas de uso diário em National Forests.

Em 2026, o passe custa $80 para residentes americanos e $250 para não-residentes. Nós comprámos o passe em 2024 por $80 porque na altura não havia distinção entre residentes e não-residentes. O passe cobre o condutor e todos os passageiros num veículo privado, ou o titular e mais três adultos em zonas com cobrança por pessoa. Os preços são atualizados periodicamente, por isso confirma os valores atuais no site oficial antes de viajares.

Em 2026 foi também introduzida uma taxa adicional para não-residentes nos 11 parques mais visitados: Acadia, Bryce Canyon, Everglades, Glacier, Grand Canyon, Grand Teton, Rocky Mountain, Sequoia & Kings Canyon, Yellowstone, Yosemite e Zion. Quem entrar com bilhete diário paga $100 por pessoa (maiores de 16 anos) por visita, em cada parque, além da taxa de entrada normal. A alternativa é comprar o passe anual de não-residente por $250, que elimina essa taxa em todos os 11 parques e funciona como o passe normal nos restantes locais federais. Se planeias visitar dois ou mais destes parques com outra pessoa, o passe de $250 compensa claramente face aos bilhetes diários.

Vale a pena comprar o passe se visitares vários parques. A entrada individual no Grand Canyon, por exemplo, custa $35 por veículo, por isso o passe paga-se em poucas visitas. O passe não cobre campismo em parques com infraestrutura, parques de estacionamento específicos, tours guiados ou atividades geridas por empresas privadas concessionárias.

Uma vantagem menos conhecida é que o passe também cobre o acesso a National Forests, onde o camping disperso é gratuito e permitido na maioria das zonas — podes simplesmente parar e dormir sem reservas nem custos adicionais, até 14 dias no mesmo local. Em algumas zonas é cobrada uma taxa de day-use para aceder, mas o passe cobre essa taxa.

Nos 89 dias que passámos nos EUA visitámos vários parques nacionais e dormimos frequentemente em National Forest, o que tornou o passe indispensável.

8. Fronteira Canadá — EUA

Se viajares de carro do Canadá para os EUA, para além do ESTA vais precisar de um I-94. Este documento pode ser preenchido na fronteira, mas também o podes fazer online 7 dias antes de atravessares a fronteira, o que te permite evitar filas e poupar tempo. O valor em 2024 era de $6, mas agora tem um custo extra de $24.

A travessia em si foi uma experiência diferente de qualquer outra fronteira que já fizemos: falámos com três polícias diferentes, o carro foi revistado, e a principal preocupação deles era a comida. Não podes entrar com fruta e legumes, ovos crus ou arroz de certos países. Nós ficámos sem dois ovos, mas não tivemos qualquer outro problema. Se não tiveres carro próprio, é mais simples ir de autocarro ou avião e alugar um carro do outro lado. Atravessar de carro só faz sentido se já o tiveres, já que não o vais deixar para trás.

Acreditamos que entrar nos EUA pela fronteira terrestre com o México seja bem mais complicado. Por causa disto, e também por falta de tempo, preferimos não arriscar, e por isso não fomos ao México.

9. A nossa road trip

Foi a 8 de outubro, depois de mais de 5 meses a viajar pelo Canadá, que cruzámos a fronteira com os EUA. Entrámos no estado de Washington, e o controlo fronteiriço foi tranquilo.

A nossa ideia inicial era focarmo-nos na Califórnia e Utah e atravessar Washington e Oregon numa semana, mas gostámos tanto de ambos que acabamos por ficar quase 3 semanas. Continuamos ao longo da costa até entrarmos na Califórnia. Seguimos até San Francisco, e depois fomos para o interior de forma a visitar Yosemite, Redwoods e Death Valley. Continuámos para o interior para explorar o Nevada e o Utah. Todo este percurso está a vermelho e foi de outubro até quase ao fim de novembro. Daqui fizemos um desvio ao New Mexico, explorámos o Arizona e demos mais um pequeno salto ao Utah. Depois seguimos para oeste de forma a explorar o resto da Califórnia, com foco no sul. Todo este percurso está a azul e foi do fim de novembro a meados de dezembro. A última fase foi conduzir até Nova Iorque e depois até Toronto, mas fizemos algumas paragens no Arizona e New Mexico, e mais algumas mais pequenas noutros estados. Deixámos os EUA e chegámos a Toronto no mesmo dia no início de janeiro, troço a verde.

O ritmo foi intenso, com muitos dias de condução, e com poucos períodos concentrados numa mesma zona. Ao contrário da Austrália, nunca sentimos um isolamento absoluto, pelo menos não ao mesmo nível. O Utah foi possivelmente a zona onde sentimos mais isolamento por ser em grande parte um alto deserto sem nada, mas havia sempre estradas próximas e sinais constantes de presença humana. É um país vasto e selvagem, mais do que a Europa, mas menos extremo comparativamente à Austrália e até ao Canadá.

Viajar desta forma já não era novidade para nós. A experiência na Austrália tornou tudo mais simples: organização, gestão de recursos, algumas decisões e escolha de locais para dormir. A minivan era confortável para o dia a dia, mas nos altos desertos foi difícil. Apanhámos muito frio, com várias noites abaixo dos -10 ºC, e no inverno consegue ser ainda pior. Não apanhámos o verão, e ainda bem, porque estes mesmos altos desertos e muitas zonas da Califórnia facilmente passam os 35 ºC.

Durante parte da viagem convivemos com a ideia de estarmos em território de ursos, e isso mudou alguns comportamentos. Mais atenção em caminhadas, mais cautela à noite e nunca ter comida com cheiro forte. Ironicamente não chegámos a ver nenhum, só mesmo no Canadá, mas isso não quer dizer que eles não estivessem presentes… Mesmo em dezembro, apanhámos algum fumo de incêndios e estradas cortadas na zona de Malibu (Califórnia). Sim, os famosos incêndios do fim de 2024… Parece coincidência, mas estamos numa de apanhar tudo o que é incêndio importante…

Se tivéssemos de resumir os EUA numa palavra, certamente que seria “variado”. Vimos tão pouco do país, e é incrível a variedade que tem, desde costas dramáticas, altos e baixos desertos, florestas boreais, árvores gigantescas, zonas que parecem de outro mundo, lagos gigantes, vulcões e montanhas impressionantes. Isto sem contar com os estados que mal vimos, e também com o Alaska e Hawaii.

No fim de dezembro chegámos a Nova Iorque para o ano novo, e depois voltámos ao Canadá, vendemos a minivan a um amigo que tínhamos conhecido na Austrália e encerrámos a viagem a 5 de janeiro de 2025, depois de 249 dias na estrada.

10. Porquê um carro (e alternativas)

A forma como vais viajar pelos EUA vai depender do tempo e do dinheiro disponíveis, bem como das regiões que queres visitar. Tal como no Canadá, e ao contrário da Austrália, não conhecemos muitos backpackers durante a nossa viagem, mas conhecemos e falámos com várias pessoas, e também pesquisamos sobre o assunto para te poder ajudar a escolher a melhor forma para viajares nos EUA.


Boleia: Andar de boleia não é para todos, e também ao contrário da Austrália, foi algo que não vimos mas não deixa de ser uma opção. Na Austrália, era comum pessoas que não se conheciam de lado nenhum fazerem amizade e viajarem juntas em parte ou na totalidade do percurso, já que é uma forma mais económica de viajar, sem te preocupares com custos inesperados, mas obviamente estás sujeito à disponibilidade do condutor. Nós queríamos ter a liberdade de escolher onde ir e quando ir, por isso esta opção estava fora de questão. Também pode implicar algum risco, já que não conheces o condutor, e nalguns estados, como Nevada, New Jersey, New York, Pennsylvania, Utah e Wyoming é explicitamente proibida e ilegal!

Transportes Públicos: Esta opção é mais adequada para zonas com maior densidade populacional, mas fora dos grandes centros as opções são escassas. Grandes cidades têm sistemas de transporte público razoáveis, mas nem todas. Houston é um bom exemplo de como não desenvolver uma cidade. A nossa experiência em Nova Iorque e São Francisco, ainda que não tenha sido perfeita, foi muito boa, e não recomendamos de todo que te desloques dentro destas cidades de carro, principalmente Nova Iorque. Las Vegas tem uma linha de autocarro que percorre a Strip e foi o suficiente para nós. A East Coast tem um corredor razoavelmente bom de comboios, mas fora isso o ideal é mesmo andar de carro. Para zonas mais remotas vai ser difícil usares transportes públicos. O avião é obviamente considerado transporte publico, e vai ser a melhor forma para longas distâncias, a menos que como nós queiras sempre conduzir.

Damos mais pormenores sobre os transportes de cada cidade e região no guia de destinos da nossa viagem.

Aluguer: Se estiveres nos EUA como turista, alugar um carro é a opção mais sensata porque permite-te alguma flexibilidade sem te preocupares com manutenção e avarias. Para nós compensou comprar um carro, mas foi no Canadá onde vivíamos legalmente, e claro que não o íamos deixar para trás.

Existem várias empresas de aluguer com diversas opções disponíveis, como carros, vans, 4×4 e caravanas. Se o teu objetivo for dormir no carro (o que recomendamos vivamente), deves optar por uma caravana ou uma van. Alugar um carro não difere muito de fazê-lo noutro país, mas recomendamos que pagues um extra pelo seguro contra danos, porque qualquer pequeno incidente pode sair-te caro! Verifica se o teu cartão de crédito (se tiveres) inclui seguro, porque muitas vezes já cobre danos no aluguer e pode evitar que pagues pelo seguro da empresa, que costuma ser caro.

Deves ter cuidado se a tua intenção for fazer off-road, pois mesmo quando alugares um 4×4, isso não significa que o aluguer permita off-road. A grande maioria proíbe e tem telemetria.

Comprar Carro: Permite-te ir onde quiseres e quando quiseres! Vais ter que te preocupar com a compra e venda, manutenção, impostos e outras questões, mas acreditamos que esta seja o ideal para viagens mais longas.

Comprar um carro como turista é legalmente possível já que a compra em si pode não ter requisitos de residência. O desafio está no registo e no seguro, que variam de estado para estado e exigem sempre uma morada americana. Estados como Nevada, Florida e Califórnia são conhecidos por ser mais acessíveis para estrangeiros neste processo. O Oregon não cobra imposto sobre a venda, o que pode representar uma poupança. O maior risco continua a ser vender o carro no final, porque sem residência, o processo pode ser complicado e podes perder dinheiro. É uma opção viável para viagens longas, mas exige pesquisa e planeamento antes de chegares. No nosso caso, comprámos o carro no Canadá porque vivíamos lá, e simplesmente levámo-lo para os EUA quando a viagem avançou para sul.

Se, como nós, já tiveste um carro, tudo com que vais ter que lidar nos EUA pode ser um pouco muito diferente do que terias que lidar em Portugal (ou noutro país), mas como não o fizemos, não te vamos poder ajudar. Se estás a pensar comprar um carro para a viagem, temos um guia dedicado a ajudar-te a escolher o veículo certo e perceber quais as especificações técnicas mais importantes. Como esta informação é transversal a qualquer destino, decidimos centralizá-la para evitar repetição.

11. Custos

Queremos ser transparentes contigo e mostrar-te todos os custos que tivemos durante a nossa viagem. Vamos dividi-los em duas partes: os custos de aquisição, manutenção e conversão do carro, e os custos durante a viagem em si. De forma a uniformizar os valores, todos os custos serão apresentados em euros, com a conversão à data de cada gasto. A maior parte dos custos com o carro foram em dólar canadiano, mas tivemos alguns em dólar americano. Como a viagem nos EUA está interligada, apresentar tudo em euros permite uma comparação mais fácil entre os dois países.

De referir que há custos que não vamos incluir, ainda que representem uma pequena percentagem. Por exemplo, comida, detergentes e outros consumíveis que sobraram de quando vivíamos em Toronto foram aproveitados para a viagem, assim como lençóis, almofadas e algumas coisas de casa. Em contrapartida, no fim da viagem sobrou alguma comida e detergentes.

Todos os custos apresentados são totais, mas somos duas pessoas. É importante ter isso em conta: muitos custos são praticamente iguais independentemente de viajares sozinho ou acompanhado — tudo o que está associado ao carro, combustível e ferries (onde o maior custo é o veículo e não os passageiros). Para estes, o valor apresentado é o custo real, quer viajes só ou acompanhado. Já custos como comida e plano de telemóvel devem ser divididos por dois. Isto implica que no nosso caso real, o custo por pessoa foi metade dos valores apresentados.


Custos com o carro

Estes são os custos que tivemos com a aquisição, manutenção e conversão do carro para a viagem. Para contextualizar estes valores, fizemos a comparação com duas alternativas comuns: alugar uma caravana equipada ou ficar em hotel com carro alugado. A viagem durou 249 dias, dos quais 160 no Canadá e 89 nos EUA. Alugar uma caravana teria custado cerca de 105€ por noite, um total de aproximadamente 26.150€, sem contar com seguros de proteção extra nem quaisquer outros extras. Hotel com carro alugado, a cerca de 90€ por dia (50€ de carro e 40€ de hotel, valores por baixo), ficaria em aproximadamente 22.400€, igualmente sem extras nem seguros adicionais. É justo reconhecer que uma caravana seria mais confortável (e um hotel nem se fala), mas gastaria muito mais combustível ao longo de 249 dias, o que aumentaria ainda mais a diferença.

A nossa opção — comprar, equipar e vender o carro — ficou muito abaixo destes valores, e ao contrário de um hotel ou caravana alugada, deu-nos a liberdade total de dormir onde quisemos, quando quisemos, e aproveitar a viagem num carro que é nosso. O custo total foi de 10.900€, menos de metade do que gastaríamos em qualquer das outras duas opções. Mas este seria o pior cenário — como vendemos o carro por 6.050€, no total só gastámos 4.850€, cerca de 20% do custo de qualquer uma das alternativas.

Contabilizámos tudo, e fizemos a divisão em 10 categorias:

  • Car – O custo de compra do carro, literalmente o valor que pagámos ao vendedor.
  • Camping – Tudo o que está associado a viver no carro: todos os materiais e ferragens para construir os móveis, material elétrico, frigorífico, etc.
  • Insurance – Seguro e assistência em viagem.
  • Maintenance – Tudo o que é manutenção: óleo, filtros, pneus, travões, lâmpadas.
  • Repairs – Reparações: os casquilhos dos braços de controlo dianteiros representam o bolo desta categoria.
  • Inspections – Pagámos uma inspeção antes de comprar o carro para confirmar que estava tudo ok, e pagámos uma para o poder vender.
  • Taxes – Impostos associados ao carro, que praticamente foi só o IVA aquando da compra.
  • Acessórios – Acessórios relativos ao carro: suporte GPS, material para proteção, etc.
  • Tools – Ferramentas, incluindo uma mala com várias chaves, compressor, etc.
  • Cleaning – Material de limpeza, lavagens e aspirar o carro.

Custos durante a viagem

Estes são todos os custos que tivemos durante a nossa viagem. Mais uma vez, atenção que poupámos algum dinheiro por levar coisas de quando vivíamos em Toronto, mas algumas alguma comida e detergentes também transitaram para os Estados Unidos. Durante toda a viagem (no Canadá) não pagámos uma única noite de alojamento. É provavelmente a categoria mais surpreendente desta lista, e a que melhor ilustra a vantagem de viajar desta forma. Passámos algumas noites em casas (ou no carro no terreno) de desconhecidos que nos convidaram, mas em nenhuma dessas situações precisaríamos de pagar por alojamento.

  • Fuel – Combustível gasto. Não há muito mais a dizer nesta categoria.
  • Eating Out – Comer em restaurantes, take away e cafés. Decidimos separar das compras de supermercado porque o valor é elevado. Demasiado até, já que podiamos ter gasto bem menos. Claro que isto iria aumentar um pouco a próxima categoria.
  • Groceries – Tudo o que são alimentos de supermercado e mercearia.
  • Activities – Os passes e bilhetes para os parques nacionais e das províncias, assim como custos associados: parking Lake Louise e autocarros obrigatórios no Banff NP. Também inclui museus e tours.
  • Ferry – Travessias de ferry para ilhas: Newfoundland, Les Îles-de-la-Madeleine, Vancouver Island e Fogo island.
  • Household – Tudo aquilo que podemos considerar “para a casa”. Consumíveis como papel higiénico, sabão, shampoo, medicação, gás para o fogão, etc.
  • Phone – Plano mensal de telemóvel. De relembrar que o valor inclui dois planos.
  • Clothes – Roupa. Não comprámos nada que precisássemos para a viagem, mas o valor é tão baixo que preferimos incluir.
  • Electronics – A maior despesa foi um disco externo. Necessário para a viagem dado a quantidade de fotos e vídeos.
  • Other – Tudo o que não se encaixa nas outras categorias. Souvenirs, vinho e comida de quando ficávamos em casa de alguém.
  • Transport – Achámos que faria mais sentido ter o combustível e ferries separados. Nesta categoria foi só estacionamento e portagens. A única portagem de relevo foi a ponte para P.E.I.
  • Laundry – Lavandarias, custos com máquinas de lavar a roupa e secar. Não incluímos o detergente e amaciador já que sobrou de Toronto.
  • Shower – Banhos pagos durante a viagem. Tivemos vários gratuitos.
  • Transit – Transportes públicos.

Total e valores mensais

De forma a simplificar, abaixo temos os custos do carro e da viagem agrupados de forma mais geral. Dado que a nossa viagem teve duas partes, Canadá e Estados Unidos, nos custos do carro considerámos 64,3% para o Canadá, o equivalente a 160 dos 249 dias de viagem.

  • Transport – Inclui tudo o que está associado ao carro como meio de transporte, exceto a conversão. Também inclui combustível, portagens, ferries e transportes públicos.
  • Food – Supermercados, restaurantes, take-away e cafés.
  • Accomodation – Custos com a conversão do carro. Inclui também duches e lavandaria, já que são coisas que por norma se fazem em casa.
  • Activities – A mesma categoria que a anterior.
  • Household – A mesma categoria que a anterior, incluindo eletrónica.
  • Phone – A mesma categoria que a anterior.
  • Other – Tudo o resto, incluindo roupa.

O custo mensal desta viagem no Canadá foi de 1.043€ por pessoa considerando a venda do carro, ou 1.649€ sem a venda. Por categoria, o custo mensal por pessoa foi de:

  • Transport – 370€ (976€ sem a venda)
  • Food – 404€
  • Accomodation – 112€
  • Activities – 61€
  • Household – 41€
  • Phone – 31€
  • Other – 24€

404€ em comida por pessoa é um valor elevado. O Canadá é um dos países onde já vivemos mais caros em supermercados e restaurantes, mas houve sem dúvida algum abuso da nossa parte em comer fora. A isso acresce o facto de certas zonas mais isoladas terem supermercados com preços bem acima da média.

Publicado em 2025 · Atualizado em 2026