Work and Holiday Visa Canadá

Se quiseres ter a experiência de viver e trabalhar no Canadá, o IEC (International Experience Canada) disponibiliza três modalidades de vistos: Young Professionals, International Co-op e Working Holiday (WHV) – vamos focar-nos apenas neste último.
Este visto tem uma validade de dois anos para cidadãos portugueses e poucas restrições ao nível do tipo de trabalho permitido. Com este visto, és considerado um residente temporário no Canadá.
Os salários no Canadá são bastante mais atrativos do que em Portugal e, com alguma organização, consegues poupar e explorar o país.

A candidatura é relativamente simples, e podes encontrar toda a informação necessária na página oficial do governo canadiano. Existem empresas que tratam de todo o processo por ti, mas honestamente, não há necessidade de gastar dinheiro nisso porque o processo é fácil. Guarda o dinheiro para aproveitares quando já estiveres no Canadá!

O guia que disponibilizamos abaixo descreve todo o processo em detalhe, mas se tiveres alguma dúvida, podes entrar em contacto connosco.

 Working Holiday – Requisitos para a candidatura

  • Residir em Portugal
  • Ser cidadão português
  • Ter entre 18 e 35 anos (inclusive)
  • Ter seguro de saúde válido para a duração do visto
  • Ter passaporte português com validade que cubra todo o período de permanência no Canadá
  • Ter pelo menos CAD $2.500 para fazer face às despesas iniciais, além do valor de um voo de regresso (ou provar que tens meios financeiros para o comprar)

Muita atenção ao primeiro ponto! Ao contrário do WHV da Austrália, onde o país de residência não é um requisito, no caso do Canadá é obrigatório residir em Portugal no momento da candidatura. Se já tiveres feito 35 anos mas ainda não submeteste a candidatura, ainda podes candidatar-te – o que conta é a tua idade no momento da submissão, não da aprovação, e o limite são os 35 anos inclusive.


Candidatura ao visto passo a passo

1. Antes de te candidatares

Certifica-te de que cumpres os requisitos de elegibilidade e começa a preparar tudo com antecedência! Nós tratámos dos documentos necessários alguns meses antes da candidatura. Existe um limite de candidaturas por época. Em 2022 quando nos candidatámos era de 1750 para portugueses, mas em 2024, as vagas foram reduzidas para 750.

2. Documentação

Todos os documentos necessários à tua candidatura têm de estar em inglês ou francês (ou incluir uma destas línguas). Caso estejam em português, tens de recorrer a uma tradução certificada antes de os submeteres. Seja qual for o documento pedido, o IRCC (Immigration, Refugees and Citizenship Canada) envia sempre um e-mail a avisar, e o pedido aparece também no teu perfil no site da candidatura.

Se te pedirem um Identity Card, ignora, porque este documento só se aplica a países que não emitem passaporte.

Há formulários que vais ter de preencher, mas não precisas de fazer o download antecipado. Quando for altura de os preencheres, o IRCC envia um e-mail com as instruções e o link para fazeres o download. Estes formulários são ficheiros PDF que devem ser abertos num computador com o Adobe Reader, porque se tentares abrir no browser ou no telemóvel, não vai funcionar.

Exames médicos – Só são exigidos se tiveres vivido durante seis meses ou mais em países considerados de risco pelo Canadá ou se fores cidadão de um desses países.

Passaporte – Se ainda não tiveres, faz o pedido na Loja do Cidadão. Certifica-te de que a validade cobre os 2 anos do visto e todo o período que pretendes permanecer no Canadá. Uma dica, instala a app SIGA e podes tirar a senha no telemóvel uns minutos (ou horas) antes.

Certidão de nascimento ou Cartão de Cidadão – Ambos funcionam, mas o Cartão de Cidadão é preferível porque já o tens e inclui toda a informação em inglês.

Extrato bancário – Deves comprovar que tens pelo menos CAD $2500 mais dinheiro suficiente para um voo de saída. Isto serve para garantir que consegues sustentar-te nos primeiros tempos. Só precisas de apresentar esta prova à chegada e não durante o processo de candidatura.

Registo criminal – Tens de apresentar um por cada país onde tenhas vivido 6 meses ou mais, e desde os 18 anos. No nosso caso pediram para o Reino Unido e Austrália, mas não para Portugal.

CV – Tens de submeter uma cópia do teu currículo. Podes usar o Europass para a candidatura ao visto, mas não o recomendamos para a procura de emprego.

Foto tipo passaporte – Podes tirá-la em casa, mas deve cumprir os requisitos oficiais de dimensão e formato.

Family Information Form – Vais recebê-lo durante a candidatura. Tens de preencher com a informação pessoal dos teus pais e irmãos.

Previous Travel Form – Também é fornecido durante a candidatura. Pede detalhes sobre os países onde estiveste desde os 18 anos (sim, eles querem mesmo essa informação).

Seguro de saúde – Tem de cobrir toda a duração do visto, incluindo emergências médicas e repatriamento.

3. Candidatura ao visto

O primeiro passo é demonstrares o teu interesse como candidato: inscreve-te no site e cria um perfil. Vais preencher um questionário para confirmar a tua elegibilidade e saber para qual dos três vistos te podes candidatar. Isto não te garante um lugar ou um visto, apenas te coloca na lista de potenciais candidatos. Faz este passo o quanto antes, pois não sabes quanto tempo pode demorar até receberes um convite.

Depois de te inscreveres, vais entrar numa pool de candidatos. Existe uma por tipo de visto e país, mas aqui vamos focar-nos na dos vistos Working Holiday para portugueses. Podes consultar as vagas disponíveis no site oficial do IRCC, bem como as probabilidades de receberes um convite. Se o site indicar que as hipóteses são baixas, não desanimes, quer apenas dizer que a season está quase a fechar. Foi o que nos aconteceu: fizemos o registo na mesma, e o nosso perfil foi automaticamente transferido para a temporada seguinte. No entanto, desde 2024, o IRCC deixou de transferir automaticamente os perfis. Se não fores convidado até ao fecho da temporada, o teu perfil será removido, mas podes criar um novo assim que as candidaturas reabrirem. O teu login e conta (GCKey) mantêm-se, só tens mesmo de criar um novo perfil de candidato.

As pools abrem durante um período específico todos os anos. Em 2022, por exemplo, estiveram abertas de Janeiro a Outubro, mas pode variar de ano para ano.

Depois de receberes o convite, tens 10 dias para o aceitar e 20 dias para te candidatares. O primeiro passo é pagar (CAD $285 em 2026), mas conta com mais uma pequena percentagem em taxas de cartão de crédito. Se não tens um cartão que não cobre taxas de conversão, recomendamos usar o Revolut ou o Wise. Depois do pagamento, vão começar a pedir-te documentos, que variam de pessoa para pessoa, mas são normalmente os que referimos na secção anterior.


Abaixo está a cronologia do nosso processo, com os passos e prazos entre cada um (nota que cada caso é diferente e é o IRCC que define os prazos):

Criação do perfil

O primeiro passo é fazer a inscrição no site do IRCC e criares o teu perfil. Como já explicámos, isto não é uma candidatura, mas apenas para entrares na pool.

Dia 0 – Receber um convite

Se fores elegível, vais receber um convite para te candidatares ao visto. Tens 10 dias para aceitar e 20 para submeter a candidatura. O tempo de espera é imprevisível: a Bárbara, por exemplo, recebeu o convite uma semana depois do João.

Dia 7 – Candidatura

Depois de aceitares o convite, vais ter acesso ao eService, um painel online onde completas a candidatura e encontras uma lista de documentos. Cada passo novo é acompanhado por um email de aviso e uma carta (em PDF) no site com as instruções. Vais precisar de uma morada portuguesa, e o primeiro formulário é normalmente o IMM 5645E (Family Information), onde indicas os dados pessoais da tua família mais próxima (pais e irmãos). Se não conseguires abrir o PDF, usa o Adobe Reader num computador. Tens 20 dias para preencher tudo e pagar o visto.

Dia 8 – Carta para recolha dos biométricos

Nós submetemos e pagámos o visto ao sétimo dia (porque a Bárbara só recebeu o convite 7 dias depois do João, e queríamos fazer tudo ao mesmo tempo). No dia seguinte recebemos o pedido para recolher os biométricos (foto e impressões digitais). Na altura, só era possível fazê-lo em Madrid, mas hoje já o podes fazer em Portugal. Tens 30 dias desde o pedido para fazer a marcação online. O custo é de $85$, pago no momento da marcação (imprime e leva o comprovativo contigo). Se fores em casal ou com amigos, cada um precisa da sua marcação individual, mas podem fazê-lo em horários seguidos se disponível. Quando fomos não havia mais ninguém, por isso entrámos ao mesmo tempo.

Dia 21 – Realização dos Biométricos

Não os fizemos imediatamente porque o sítio mais próximo era em Madrid, mas agora já é possível fazer em Lisboa.

Dia 23 – Formulário IMM5257B (Previous Travel)

Dois dias depois, recebemos o pedido para preencher este formulário. Tens de indicar todos os países onde já viveste desde os 18 anos. Nós incluímos Portugal, Reino Unido e Austrália, porque foi onde já morámos e existe um registo de entradas e saídas. Não incluímos os países por onde já viajámos. São todos no espaço Schengen, e por isso sem registo. Mesmo que o formulário refira apenas uma data limite, tens de incluir tudo desde os teus 18 anos. Tal como os anteriores, abre apenas no Adobe Reader. Tens 20 dias para o submeter.

Dia 24 – Registo criminal

No nosso caso, não pediram o registo português, mas sim os da Austrália e Reino Unido. Tens 30 dias para os apresentar, e se o prazo estiver a acabar, basta apresentares prova de pedido (ex: recibo de pagamento).

Se, como nós, viveste na Austrália, também te podem pedir o Complete Driver History Report. Se nunca tiveste carta de condução na Austrália, tens de fazer o pedido à entidade responsável no estado onde viveste. No nosso caso, que vivemos em Victoria, enviámos um email para demerits@roads.vic.gov.au, com o assunto “Driver History Report – No VIC licence”, e anexámos uma foto do passaporte com os seguintes dados: nome completo, data de nascimento e morada em Victoria.

Responderam-nos em apenas um dia útil com o documento.

Dia 44 – Port of Entry Letter (PoE)

Ao fim de 44 dias recebemos a Port of Entry Letter (PoE). Esta carta não é o visto, mas sim o documento que deves apresentar no aeroporto quando chegas ao Canadá, onde depois será emitido a Work Permit (WP).

Agora sim, podes começar a procurar voos e tratar do seguro. Tens 1 ano a partir da data da PoE para entrar no Canadá. Se o teu voo tiver escala no Canadá, é nessa escala que apresentas a carta para receberes a Work Permit, por isso certifica-te de que tens tempo suficiente entre ligações. O visto só inicia quando emitem a WP.

A PoE vem com um eTA associado, o que te permite entrar no país. Se precisares de renovar o passaporte antes de voares, só tens de pedir um novo eTA, que fica associado ao novo passaporte. Leva também uma fotocópia do passaporte antigo.

4. Seguro de viagem e saúde

Dentro da União Europeia nunca sentimos grande necessidade de um seguro de viagem/saúde, uma vez que as leis de proteção ao consumidor e o Cartão Europeu de Saúde oferecem alguma segurança. No entanto, a situação muda completamente quando viajamos para fora da UE. No caso do Canadá, o seguro de saúde é obrigatório para todo o período do visto, e podes ter de comprovar que tens cobertura válida à chegada. Mesmo que não fosse exigido, é altamente recomendável, já que o sistema de saúde canadiano não cobre visitantes e qualquer emergência médica é extremamente cara.

A nossa recomendação é a True Traveller. Queremos ser totalmente transparentes e afirmar que não a recomendamos apenas por ganharmos uma comissão, sugerimos sempre que faças a tua própria pesquisa e comparação para encontrares o seguro que melhor se adapta às tuas necessidades. Dito isto, há várias razões pelas quais acreditamos que, na maioria das vezes, a True Traveller é a melhor opção, especialmente para viagens longas ou com o visto Working Holiday

  • Feedback muito positivo – inúmeros comentários favoráveis, incluindo no maior grupo de Facebook sobre o visto Working Holiday no Canadá;
  • Criada por viajantes para viajantes – melhor do que ninguém, eles entendem o que procuramos;
  • Seguro específico para o WHV Canadá – A True Traveller tem uma apólice própria para o visto IEC (Working Holiday Visa), válida até dois anos, sem necessidade de renovar. A maioria das outras seguradoras só oferece seguros de um ano, o que obriga a comprar dois seguros em separado, o que acaba por sair mais caro;
  • Bom serviço ao cliente – entrámos em contacto com eles com algumas dúvidas e responderam rapidamente. Um casal amigo que viajou para o Canadá também teve uma boa experiência com o serviço e assistência;
  • Várias opções de cobertura – oferecem três níveis de proteção e extras opcionais. No nosso caso, optámos por não incluir o seguro de bagagem para poupar algum dinheiro e porque não sentimos necessidade.
  • Excelente relação qualidade/preço – o preço é competitivo e as coberturas são muito boas. Nós escolhemos a opção intermédia, mas há alternativas mais básicas e outras mais completas.

Além de tudo isto, uma das nossas maiores preocupações ao viajar fora da UE era o custo elevado dos cuidados de saúde, especialmente na América do Norte e na Austrália. O nosso seguro com a True Traveller incluía até 10.000.000€ de cobertura médica, enquanto muitas outras seguradoras oferecem valores bem inferiores. Algumas seguradoras frequentemente partilhadas no Instagram ficam-se pelos 300.000€, o que pode parecer muito até precisares realmente de usar o seguro numa situação grave.

A True Traveller é uma excelente escolha para viajantes de longa duração e para quem vai com o visto Working Holiday mas, como em qualquer seguro, é fundamental ler as condições e exclusões com atenção e comparar com outras opções antes de decidir. A única restrição da True Traveller é que não oferece cobertura a maiores de 65 anos.

Como já referimos, se usares o nosso link, nós ganhamos uma pequena comissão, mas tu não pagas mais por isso, e acaba por ser uma forma de apoiares o nosso trabalho.

5. Extensão do visto

É possível prolongar a tua estadia no Canadá de várias formas, mas as mais comuns são através da Residência Permanente (PR – Permanent Residency) ou de um segundo visto Working Holiday. Nós optámos por não ficar no Canadá, por isso não passámos por esse processo, mas como tínhamos essa possibilidade pesquisámos sobre o tema, e temos amigos que o fizeram e partilharam connosco a sua experiência.

Permanent Residency (PR)
A residência permanente dá-te praticamente os mesmos direitos que um cidadão canadiano: podes viver e trabalhar no país, ter acesso ao sistema de saúde e a outros benefícios sociais. A principal condição é que precisas de passar pelo menos 2 anos (730 dias) em cada 5 a viver no Canadá para manter o estatuto.

O sistema mais comum é o Express Entry, que funciona com base num sistema de pontos que avalia factores como idade, educação, experiência profissional, proficiência em inglês ou francês e adaptabilidade. Também existem outras vias: o Provincial Nominee Program (PNP), destinado a províncias com menor densidade populacional; o Family Sponsorship, caso tenhas familiares canadianos; e o Quebec Immigration Program, específico desta província.

Segundo WHV
O segundo visto é semelhante ao primeiro: permite-te viver, viajar e trabalhar no Canadá por mais dois anos, praticamente sem restrições. No entanto, o processo de candidatura é mais caro e um pouco mais burocrático, sendo normalmente necessário recorrer a um advogado ou consultor de imigração autorizado.

Existem também outras opções:

  • Work Permit (Closed ou Employer-Sponsored) – Se o teu empregador quiser manter-te, pode patrocinar-te um visto de trabalho fechado. O processo é mais complexo e requer, na maioria dos casos, uma LMIA (Labour Market Impact Assessment) que prove a falta de candidatos canadianos.
  • Study Permit – Permite estudar e trabalhar a tempo parcial. É caro, mas pode ser um bom passo para quem quer ficar no país, já que o PGWP (Post-Graduation Work Permit) permite continuar a trabalhar após o curso.
  • Open Work Permit for Spouses – Se o teu parceiro(a) tiver um visto válido de estudo ou trabalho, podes obter um visto aberto que vos permitirá continuar no Canadá juntos.

6. Custos

Visto: O visto custa $285 e convém usares um cartão sem taxas de conversão, como o Revolut ou o Wise.

Biométricos: Os biométricos custam $85. No nosso caso, tivemos de nos deslocar a Madrid, mas agora já é possível fazê-los em Lisboa.

Voos: Existem voos diretos para o Canadá, sendo Toronto e Montreal os destinos mais comuns e geralmente mais baratos. Se quiseres voar para o centro ou oeste do país, ou para as províncias atlânticas, o mais provável é teres de fazer uma escala. Também há voos para Toronto com escala em Montreal ou nos Açores. Nós partimos do Porto em Outubro de 2022 pela Air Transat, com uma mala de porão cada, e pagámos 378€ por pessoa. Este valor inclui o extra Option Plus, que nos permitiu levar a mala de porão e escolher o lugar.

Seguro: Gastámos cerca de 1800€ para os 2 anos de seguro para os dois. Isto dá cerca de 37€ por mês por pessoa. Considerando que é um seguro de viagem e de saúde, com um limite de 10 milhões de euros, parece-nos um valor aceitável. Independentemente disso, o seguro é obrigatório para o visto!

Police Check: Gastámos certa de 93€ por pessoa nos registos criminais do Reino Unido e Austrália. Estes valores incluem os custos de envio para Portugal, mas os registo Britânico foi bem mais caro (o dobro) do Australiano. Se nunca viveste fora de Portugal, não tens de te preocupar com isto.

Publicado em 2023 · Atualizado em 2025